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Coluna Ocasionais by Márcio Correia | 10 coisas que um homem seguro de si não precisa fazer

Existe um tipo de homem que está sempre tentando provar alguma coisa: que é forte, rico, desejado, importante, inteligente, experiente, que tem razão, que não sente e que não precisa de ninguém. O problema é que, quanto mais ele precisa provar, mais inseguro parece. A verdadeira segurança costuma funcionar de maneira diferente. Ela não faz barulho, não pede autorização e não precisa de plateia. Os italianos têm uma palavra para essa espécie de naturalidade sofisticada: sprezzatura — a arte de fazer algo difícil parecer fácil. Mas como seria um homem que não precisa provar o tempo inteiro o seu valor?

 

1. Ele não precisa falar alto para ser ouvido. Volume não é autoridade. Um homem que precisa aumentar a voz para dominar uma conversa talvez esteja tentando compensar alguma coisa. Segurança aparece de outra maneira: fale com clareza, escolha as palavras, sustente o que pensa e saiba ficar em silêncio. Quem realmente tem algo a dizer não precisa gritar.

2. Ele não precisa contar quanto pagou. Se a primeira coisa que você quer que alguém perceba em você é o preço do seu relógio, do seu carro, da sua roupa ou da sua viagem, talvez esteja confundindo patrimônio com personalidade. Dinheiro pode comprar coisas excelentes, mas não compra repertório, caráter ou educação. Um homem elegante pode ter muito dinheiro. Só não precisa transformar dinheiro em currículo.

3. Ele não precisa ter sempre razão. Admitir que outra pessoa está certa pode parecer uma derrota para quem construiu a masculinidade em torno da competição. Mas não é. É maturidade. Um homem seguro consegue dizer: “Você tem razão”, “Eu não sabia disso” e, talvez a frase mais poderosa de todas: “Eu estava errado.” Não há fraqueza nisso. Há inteligência.

4. Ele não precisa transformar mulher em troféu. Quantas mulheres um homem conquistou não deveria ser uma unidade de medida de masculinidade. Relacionamentos não são medalhas. Mulheres não são provas sociais de sucesso. Um homem seguro não precisa exibir quem está ao seu lado para convencer outras pessoas de seu próprio valor. Ele trata a pessoa ao lado dele como pessoa: com desejo, quando existe; com admiração, quando existe; mas, sobretudo, com respeito.

5. Ele não precisa responder a toda provocação. Alguém provocou? Respire. Nem toda provocação merece resposta, nem toda discussão merece sua energia, nem toda opinião sobre você merece sua atenção. Existe uma força enorme em olhar para uma situação e pensar: “Isso não merece meu tempo.” Às vezes, sair de uma briga é muito mais difícil do que vencê-la.

6. Ele não precisa parecer ocupado o tempo inteiro. Vivemos em uma época em que estar ocupado virou símbolo de importância. “Minha agenda está lotada”, “Tenho três reuniões”, “Estou viajando a trabalho.” Tudo isso pode ser verdade. Mas existe uma pergunta incômoda: ocupado com o quê? Um homem pode ter uma agenda cheia e uma vida vazia. Saber desacelerar também é sinal de sucesso: tomar um café sem olhar o celular, almoçar sem responder mensagens, conversar sem verificar notificações, observar o mundo e ter tempo para si.

7. Ele não precisa esconder que tem sentimentos. A antiga ideia de que “homem não chora” produziu gerações de homens que aprenderam a esconder tristeza, medo, insegurança e vulnerabilidade. O resultado nem sempre foi força. Muitas vezes foi silêncio, distância, irritação e dificuldade de pedir ajuda. Um homem pode ser forte e vulnerável. Pode chorar, dizer que está sofrendo, abraçar, pedir ajuda e dizer “eu te amo”. Isso não diminui sua masculinidade. Talvez esta seja justamente uma das formas mais corajosas de exercê-la.

8. Ele não precisa se vestir como um catálogo. É aqui que a sprezzatura volta para a moda. Um homem bem vestido não precisa parecer que passou três horas tentando parecer bem vestido. A roupa deve acompanhar a personalidade. Uma boa camisa, uma boa calça, um bom sapato, um relógio que tenha significado, uma peça antiga, uma combinação inesperada. Não é sobre perfeição. É sobre identidade. O melhor estilo masculino não diz “veja quanto eu gastei”; diz “isso combina comigo”.

9. Ele não precisa mostrar tudo nas redes sociais. Talvez a maior expressão moderna de sprezzatura seja não transformar a própria vida em propaganda. Você não precisa postar cada restaurante, cada viagem, cada presente, cada reunião, cada conquista ou cada momento de felicidade. Algumas coisas ficam melhores quando permanecem somente suas. Existe intimidade naquilo que não é publicado e existe poder em não precisar da aprovação de desconhecidos.

10. Ele não precisa parecer perfeito. Esta talvez seja a mais importante. O homem perfeito é um personagem. O homem interessante é real. Ele erra, tem medo, muda de opinião, envelhece e às vezes não sabe o que fazer. Mas aprende e continua. A maturidade não é eliminar todas as imperfeições. É assumir responsabilidade por elas.

Afinal, o que é um homem seguro?

Não é necessariamente o mais rico, o mais bonito, o mais forte, o mais inteligente ou o mais desejado. É aquele que consegue entrar em uma sala sem precisar descobrir imediatamente quem é a pessoa mais importante dali. É aquele que consegue ouvir sem competir, elogiar outro homem sem sentir que perdeu espaço, admirar uma mulher sem precisar possuí-la, trabalhar duro sem transformar o esforço em espetáculo, vencer sem humilhar e perder sem destruir.

É o homem que consegue dizer “não sei”, “me desculpe” e “eu preciso de ajuda”. É aquele que não confunde masculinidade com dureza e que não precisa transformar sua vida em uma demonstração permanente de força.

A verdadeira segurança é silenciosa. Quanto mais um homem precisa parecer seguro, menos seguro ele parece. Quanto mais precisa parecer poderoso, mais evidente fica sua necessidade de poder. Quanto mais precisa parecer rico, mais dependente parece do dinheiro. Quanto mais precisa parecer desejado, mais evidente fica sua necessidade de aprovação.

Por isso, talvez a palavra “sprezzatura” seja um excelente conceito para uma nova masculinidade: prepare-se muito, mas não faça do esforço um espetáculo; vista-se bem, mas não seja escravo da aparência; tenha sucesso, mas não faça dele sua identidade; seja forte, mas não tenha vergonha da vulnerabilidade; tenha opinião, mas saiba escutar; conquiste, mas não transforme pessoas em troféus; seja elegante, mas continue sendo você.

No fim, o homem mais seguro de qualquer local talvez seja justamente aquele que não está preocupado em descobrir se todos perceberam que ele chegou.

Ele chegou. Está presente. E isso basta.

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Márcio Correia

Graduado em Psicologia e Inglês, pela UMHB, nos EUA, e com cursos de aperfeiçoamento em gerenciamento e marketing feitos ao longo de sua vida, Márcio é um entusiasta e adora gente, cultura, festas e novidades. Já morou nos EUA por muitos anos e sempre que pode encontra novos lugares para conhecer. Acumula boas experiências nas áreas da música, moda, design, arquitetura e organização de eventos. Já foi colunista em um jornal local e atualmente organiza eventos sociais e empresariais, além de ser professor de inglês e assinar a coluna OCASIONAIS para o Portal ConceituAdo

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