Entre sensibilidade e firmeza, razão e intuição, Mônica Freire constrói uma trajetória que se revela em camadas — como quem aprende a viver respeitando o próprio tempo. Empresária, mãe, mulher de fé e de pensamento inquieto, ela carrega em si a força de quem começou cedo e a delicadeza de quem nunca deixou de sentir. Sua história atravessa desafios, reinvenções e conquistas, sempre guiada por propósito, coragem e um olhar atento aos detalhes da vida. Nesta entrevista, Mônica compartilha sua visão sobre trabalho, família, amor, fé e futuro, revelando não apenas suas escolhas, mas a essência de quem segue, todos os dias, construindo caminhos com verdade.
Quem é a Mônica por trás de tantos papéis?
Sou uma mulher de coração inquieto e mente criativa, sempre pensando em algo novo. Gosto da simplicidade, mas com verdade. Valorizo boas conversas, bons sabores e boas histórias — e, sempre que posso, junto tudo isso em um mesmo momento.
Tenho um lado muito prático, que resolve e organiza, mas também um lado intuitivo, que sente, observa e enxerga beleza nos detalhes. Sou intensa quando amo, focada quando quero e persistente quando acredito. Estou sempre em movimento, aprendendo, errando, acertando e me reinventando — no meu tempo.
Sua trajetória profissional passou por mudanças importantes. Como foi esse caminho?
Comecei na Pedagogia, mas durante o estágio percebi que não era o que eu queria. Busquei novos caminhos, fiz o curso de corretora de imóveis e me identifiquei muito com a área documental. Depois me formei em Administração, o que me deu uma base sólida para empreender. Foi assim que, junto com meu marido, criamos a La Bodega Serrana, um projeto que une estratégia, identidade e propósito.
Como surgiu a ideia da La Bodega Serrana?
Veio de algo muito simples: meu prazer em reunir amigos. Sempre gostei de receber, de criar momentos em torno de boa comida, boa bebida e boas conversas. A La Bodega nasceu desse desejo de proporcionar às pessoas exatamente essa experiência — um lugar de acolhimento, onde cada detalhe tem significado.
O que diferencia o seu negócio no mercado?
A proposta é justamente romper preconceitos. Trabalhamos com cachaças de alta qualidade, selecionadas com muito critério, mostrando que a bebida pode ser sofisticada, equilibrada e prazerosa. Queremos ressignificar a forma como as pessoas enxergam a cachaça, elevando-a ao mesmo patamar de outras bebidas nobres.
Você é uma pessoa mais reservada. Como lida com as amizades?
Cultivo amizades com pessoas de diferentes histórias e culturas. Nem sempre consigo estar presente como gostaria, mas carrego todas com muito carinho. Torço por cada uma delas e estou sempre disponível quando precisam.

O que a família representa para você?
Família é base, é segurança. Sou muito grata por ter uma família unida e também por ter construído laços que vão além do sangue. É um espaço de troca, de aprendizado e de permanência — mesmo nas diferenças.
E a fé, qual o papel dela na sua vida?
A fé sempre esteve presente. Venho de diferentes tradições religiosas e isso me fez entender Deus de forma mais ampla. Para mim, Ele está em tudo. Nos momentos difíceis, foi a fé que me sustentou. E, nas conquistas, é a gratidão que me acompanha.
Como sua história de vida influenciou seu olhar empreendedor?
Comecei a trabalhar muito cedo, aos 12 anos. Venho de uma infância difícil, e isso me ensinou sobre responsabilidade e esforço. Passei por várias áreas até entender onde realmente me sentia realizada. Hoje, sei que minha força está na organização, na estratégia e na construção de processos.
O que Guaramiranga representa para você?
Guaramiranga é um convite para desacelerar. É um lugar de encontro — com a natureza, com as pessoas e consigo mesmo. Lá, queremos oferecer exatamente isso: um espaço onde as pessoas se desconectem do excesso e se reconectem com o essencial.
Como você define beleza?
Beleza, para mim, está nos detalhes. Está na serenidade, na resiliência, na forma como as pessoas enfrentam a vida. Não é algo superficial — é algo que se constrói com o tempo e com as experiências.

A maternidade mudou sua forma de enxergar a vida?
Completamente. Passei a olhar mais para a saúde, para o tempo, para as prioridades. Minha filha me ensinou muito, principalmente sobre respeitar o ritmo das coisas e aceitar que nem tudo acontece como planejamos.
Como você define a vida hoje?
Vida, para mim, é intensidade. Já vivi muitas fases e sempre lutei pelo que acreditei. Aprendi a insistir quando vale a pena e a mudar quando é necessário. Viver é isso: se reconstruir até se encontrar.

E o amor?
Amor é troca. É cuidar, respeitar e também se permitir receber. É um exercício diário de consciência, de presença e de gentileza — com o outro e consigo mesma.
O que é poder para você?
Poder é saber ensinar e compartilhar conhecimento. É fazer com que todos caminhem juntos, com propósito. Não está na imposição, mas na construção coletiva.
Existe algum medo que te acompanha?
Sim. O medo de me perder de mim mesma no meio de tantas responsabilidades. Por isso, busco sempre me reconectar, entender meus limites e respeitar meu tempo.
O que você projeta para o futuro?
2026 chegou com novos projetos, inclusive a construção de uma pousada de charme em Guaramiranga. Temos também o desejo de expandir nossos negócios para outras regiões, sempre mantendo nossa essência.
O que é empoderamento para você?
É ser quem eu sou sem precisar me reduzir. É saber meus limites e não permitir que sejam ultrapassados. É posicionamento, não confronto.
Como você define vitória?
Sempre trabalhei com metas e conquistei muitas delas. Hoje me considero realizada, mas continuo em movimento. Vitória, para mim, é construir, alcançar e continuar sonhando.

E a gratidão?
A gratidão é essencial, mas precisa de equilíbrio. Já vivi momentos em que ela me prendia. Hoje entendo que ela deve caminhar junto com autonomia.
O que você deseja que as pessoas levem da sua história?
Que não sou um rótulo. Sou uma mulher inteira, com qualidades, falhas, desejos e vontade de seguir em frente.
Existe uma música que represente sua caminhada?
Sim! Na verdade, duas: Noites Traiçoeiras e Sou um Milagre. Elas me tocam porque falam sobre fé — sobre continuar mesmo quando não temos certeza, temos apenas a decisão de não desistir.




