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Homem de Vitórias – Nathan Mota, jornalista @onathanmota

 

Repórter do programa Barra, da TV Jangadeiro, o jornalista Nathan Mota fala sobre infância, fé, trabalho, família, amor e o sonho de transformar vidas por meio da informação. Mas antes de entrar ao vivo, Nathan Mota percorre ruas, conversa com moradores, acompanha operações policiais e transforma acontecimentos do cotidiano em informação para milhares de cearenses. Nathan construiu sua trajetória movido por um sonho que nasceu ainda na infância, quando um microfone de karaokê quebrado bastava para brincar de ser jornalista. Nesta entrevista ao Portal Ocasionais, Nathan abre espaço para falar sobre assuntos além das câmeras. Recorda a infância simples, o incentivo da família, a paixão pelos livros, a fé que considera o alicerce da própria vida e a missão que enxerga no jornalismo. Também compartilha reflexões sobre poder, amor, sucesso e o desafio diário de preservar o menino sonhador que, segundo ele, nunca deixou de existir. Mais do que contar a história de um repórter policial, esta conversa revela o homem por trás do microfone — alguém que acredita que informar também é servir e que, apesar das dificuldades da vida, ainda é possível sonhar.

 

Quem é Nathan Mota?

O Nathan é um homem-menino, como queira. Vivo as obrigações e responsabilidades que um homem precisa assumir, mas continuo sendo movido pelos sonhos e, talvez, pela inocência de um menino. Minha maior luta é preservar esse equilíbrio. Na infância, eu pegava um microfone de karaokê quebrado, o celular do meu pai e saía pela rua entrevistando os “bebinhos” do carnaval com meu melhor amigo. Depois, na pré-adolescência, apresentava um programa infantil na Rádio Criança e sonhava ser como Yudi e Priscila, do Bom Dia & Cia. Em algum momento, esse menino me convenceu de que eu seria jornalista. Um defensor do interesse público. Um guardião da verdade. Hoje, entendo que as estruturas de poder muitas vezes esmagam sonhos, mas continuo lutando para que aquele menino nunca desapareça.

Como foi sua trajetória nos estudos?

Nunca fui o melhor aluno da escola. Na faculdade talvez (risos), mas sempre tive dificuldade em ficar parado. Curiosamente, hoje meu trabalho é exatamente o oposto: estou em vários lugares durante um único plantão. Nunca gostei de matemática, e isso me cobra um preço até hoje. Por outro lado, História e Literatura sempre foram minhas paixões. Machado de Assis, José de Alencar… aqueles textos me transportavam para outros mundos. Foi essa paixão pelas letras que confirmou meu sonho de ser jornalista. Na Universidade de Fortaleza, tudo fluiu naturalmente. Assumi grupos de trabalho, ajudava colegas, mas nunca tive interesse pela monitoria. Minha vontade sempre foi estar no mercado, aprender fazendo. Ainda no segundo semestre, entrei para a TV Unifor. Minha primeira entrevista já foi com grandes nomes do empresariado cearense e com o então prefeito Roberto Cláudio. Foi uma experiência inesquecível. Em 2022 me formei em Jornalismo e, naquele mesmo ano, conquistei a melhor nota do Enade da minha turma, o que me rendeu uma bolsa integral para um MBA em Gestão Empresarial, outra área que me encanta. Infelizmente precisei interromper o curso por causa da rotina de trabalho. Hoje continuo estudando por conta própria e ainda sonho em cursar Direito.

Como nasceu sua paixão pelo jornalismo policial?

Eu sempre digo que faço jornalismo policial, não policialesco. Na graduação eu criticava bastante o sensacionalismo de alguns programas policiais. Nunca imaginei que Deus me colocaria justamente nesse caminho. Tudo começou na Rede Plus FM, do jornalista Donizete Arruda. Em plena pandemia, após a morte do grande jornalista Fernando Ribeiro, recebi a missão de dar continuidade ao trabalho dele. Foi um enorme desafio. Assim nasceu uma nova fase da minha carreira, apresentando o Deu B.O. durante três anos. Depois veio o convite para produzir e, pouco tempo depois, ser repórter do Barra. É um privilégio fazer parte da história de um programa tão importante para o Ceará.

O que o Barra representa para você?

O Barra é um patrimônio histórico do Ceará. Há quem enxergue o jornalismo policial como um problema para o jornalismo tradicional. Eu penso exatamente o contrário. O jornalismo policial é um remédio amargo. Ele revela as feridas da sociedade, denuncia injustiças, dá voz a quem normalmente não é ouvido e ajuda a expor problemas que precisam ser enfrentados.

O que você gosta de fazer quando não está trabalhando?

Gosto de viajar sem sair do lugar. Sou apaixonado por ficção, séries, filmes e livros. Adoro mergulhar em universos diferentes da realidade.

Qual a importância da família e dos amigos na sua vida?

Minha família é amor. Minha família materna sempre esteve muito presente e foi um grande apoio para meus pais. Sou filho de um dedetizador da Prefeitura e de uma artesã que vendia dindim. Tudo o que conquistei devo ao sacrifício deles. Mesmo separados hoje, continuam sendo minha base. Quanto aos amigos, Deus me deu duas famílias. Em uma delas eu pude escolher meus parentes.

A fé parece ocupar um espaço central na sua vida.

É o que me move. Fui criado dentro da Igreja e cheguei a ser seminarista salesiano. Como não acreditar que Deus conduz meus passos? Costumo dizer que a fé é o único vício benéfico: quanto mais você acredita, mais deseja acreditar. Também tenho uma profunda devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, herdada da espiritualidade salesiana.

O que significa servir?

Estamos aqui para servir. Servir ao propósito de Deus, mas principalmente servir ao próximo naquilo de que ele mais precisa.

Como você enxerga o mundo?

Como uma grande provação. Nossa missão é atravessá-la da melhor maneira possível.

O que mais o incomoda na sociedade?

A falsa ideia de poder. O poder só existe porque as pessoas acreditam nele. Nenhum ser humano consegue garantir sequer que estará vivo amanhã. Então como alguém pode acreditar que possui poder absoluto sobre outro? Para mim, muitas vezes o poder serve apenas para alimentar egos e manter estruturas de controle social.

E o futuro?

O futuro não existe. Existe apenas o agora. Construímos o amanhã pelas escolhas de hoje. Eu gosto de sonhar, mas sei que nossos planos só fazem sentido quando estão alinhados com a vontade de Deus.

O que é sucesso?

Sucesso é como um licor doce e sedutor. Quem não sabe beber, acaba embriagado por ele.

Que mensagem você gostaria que o leitor levasse desta entrevista?

Que é possível. Mesmo diante das dificuldades, das incertezas e das loucuras do dia a dia, ainda é possível sonhar. Nunca deixem que o mundo apague o menino ou a menina que um dia acreditou que tudo podia acontecer.

Existe uma música que representa a sua caminhada?

Sou muito eclético, mas existe uma canção que sempre fala comigo: “Vienna”, de Billy Joel. Principalmente quando diz: “Slow down, you crazy child…” (“Devagar, sua criança louca… você é tão ambicioso para um jovem.”) Essa frase resume muito do que sou e do que ainda estou aprendendo a viver.

Nathan Mota não é o apresentador principal do programa. Atualmente, o comando do Barra continua com Nonato Albuquerque, que apresenta a atração desde a década de 1990 (com exceção do período em que o programa ficou fora do ar entre 2020 e 2024).

O trabalho dele é voltado principalmente para:

  • cobertura de ocorrências policiais em Fortaleza e na Região Metropolitana;
  • entradas ao vivo diretamente dos locais das ocorrências;
  • entrevistas com policiais, vítimas e moradores;
  • reportagens de prestação de serviço e denúncias da população.

Nathan costuma aparecer nas ruas durante operações policiais e acontecimentos de última hora, enquanto o apresentador Nonato Albuquerque conduz o programa no estúdio. Esse formato — apresentador na bancada e repórteres espalhados pela cidade — é uma das características do Barra.

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Márcio Correia

Graduado em Psicologia e Inglês, pela UMHB, nos EUA, e com cursos de aperfeiçoamento em gerenciamento e marketing feitos ao longo de sua vida, Márcio é um entusiasta e adora gente, cultura, festas e novidades. Já morou nos EUA por muitos anos e sempre que pode encontra novos lugares para conhecer. Acumula boas experiências nas áreas da música, moda, design, arquitetura e organização de eventos. Já foi colunista em um jornal local e atualmente organiza eventos sociais e empresariais, além de ser professor de inglês e assinar a coluna OCASIONAIS para o Portal ConceituAdo

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