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Bridgerton – especialista fala sobre a modernização da maquiagem da nova temporada

Após a estreia da quarta temporada de “Bridgerton”, a série permanece no centro das críticas dos internautas. O foco das discussões recentes é o visagismo, que apresenta uma ruptura com a estética natural das temporadas iniciais em favor de um estilo visivelmente mais contemporâneo. Essa escolha criativa tem gerado estranhamento entre o público e especialistas, uma vez que a série se propõe a retratar a alta sociedade britânica do século XIX, e a modernização excessiva da caracterização entra em conflito com a narrativa histórica do período regencial.

make-up designer Anderson Bueno, responsável pela caracterização do espetáculo “Diana – A Princesa do Povo”, utilizou sua ampla pesquisa sobre o universo da realeza britânica para realizar uma análise técnica do visagismo da nova temporada de “Bridgerton”. Com uma abordagem didática, o especialista discute como a estética da produção se distancia do rigor histórico para adotar elementos contemporâneos, oferecendo uma perspectiva profissional sobre a construção visual e a composição de personagens no contexto do entretenimento atual.

“A busca pela luminosidade natural da pele tornou-se uma prioridade estética atual. A técnica em destaque nas produções é a pele invertida, que prioriza uma preparação intensiva com hidratação profunda e produtos iluminadores antes da aplicação de qualquer cobertura de alta pigmentação. O objetivo é conferir um aspecto radiante e saudável, remetendo ao prestígio visual das protagonistas da aristocracia. No entanto, faço um alerta que a aplicação excessiva desses produtos pode comprometer o resultado, tornando-se em um aspecto de oleosidade indesejada em vez do viço natural pretendido”, explicou Anderson Bueno.

O minimalismo estético de Sophie Baek, personagem interpretada por Yerin Ha, destaca-se pela proposta de um visual “no makeup”. Essa técnica de caracterização foca em uma aparência natural e leve, simulando a ausência de maquiagem para realçar os traços intrínsecos da atriz. A composição visual prioriza uma pele fresca e bem cuidada, que, embora transmita simplicidade, mantém a elegância e o refinamento exigidos pela posição social da personagem. O resultado é uma estética equilibrada que une a modernidade do viço natural ao rigor da sofisticação clássica.

“A evolução estética de Penelope Featherington, interpretada por Nicola Coughlan, mantém a sofisticação estabelecida em seu arco de transformação que ganhou na terceira temporada. A caracterização da personagem, agora consolidada em sua maturidade visual, utiliza uma paleta de tons pêssegos nos lábios, combinada a contornos suaves que estruturam o rosto sem perder a naturalidade. O uso estratégico de iluminadores é o elemento central do visagismo, conferindo à pele um viço que simboliza sua nova fase de autoconfiança e relevância social. O conjunto técnico reflete a transição da personagem para uma estética mais polida e luminosa, alinhada ao seu papel de destaque na narrativa”, pontua Bueno.

“A análise técnica da caracterização aponta elementos que reforçam a estética contemporânea em detrimento do rigor histórico de 1815. O uso de sobrancelhas densamente marcadas, cílios alongados com destaque e técnicas de contorno facial remete diretamente às tendências atuais de tapetes vermelhos, contrastando com o naturalismo esperado para os bailes da era regencial”, acrescentou.

“Em entrevista à Vogue Portugal, a maquiadora-chefe da produção, Nic Collins, afirmou que a diretriz criativa para esta temporada visava uma suavização estética. No entanto, a execução revela uma forte dependência de iluminadores, recurso que, embora confira o brilho característico das produções de Shonda Rhimes, distancia-se da sutileza tradicionalmente associada ao conceito de suavidade na maquiagem clássica. Vale ressaltar que o uso intensivo de produtos iluminadores é um ponto de divergência técnica, podendo comprometer a sobriedade visual dependendo da aplicação”, alerta Anderson Bueno.

É importante ressaltar que “Bridgerton” é uma obra de ficção e, como tal, concede liberdade ao seu núcleo criativo para interpretar o período histórico de forma artística. Essa prerrogativa permite que a produção adote escolhas estéticas autorais, priorizando a identidade visual e o apelo do entretenimento em vez de uma reprodução estritamente documental da era regencial.

“Recentemente, tive a oportunidade de aplicar essa mesma dualidade criativa no musical ‘Diana – A Princesa do Povo’. Sob a direção de Tadeu Aguiar, tive a honra de assinar o visagismo do espetáculo em parceria com Cristiane Regis, com o desafio de transpor para o palco a trajetória e o legado de Diana Spencer, uma das figuras mais emblemáticas do século XX. No desenvolvimento desse projeto, o equilíbrio entre o rigor histórico e a liberdade artística foi fundamental. Embora a realidade paute momentos cruciais da narrativa, a licença poética permite que a caracterização vá além da realidade. Em passagens específicas, utilizamos recursos estéticos para conferir maior vivacidade e carisma à personagem, humanizando sua representação e reforçando a conexão emocional com o público. Essa abordagem demonstra que, mesmo em produções baseadas em fatos reais, o design visual é uma ferramenta poderosa para interpretar a essência de uma personalidade, transcendendo a mera reprodução documental”, finalizou Anderson Bueno sobre seu trabalho à frente do musical.

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Philippe Felix

Graduado em Administração e Marketing, Philippe já viajou pelos mais cobiçados destinos turísticos nacionais e internacionais. Carrega uma bagagem de experiências no mercado de mídia online adquirida por mais de 22 anos como comunicador, influencer e webdesigner. Fundou e dirigiu os portais LeBafon e NordesteVip e atualmente assina seu nome no ConceituAdo

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