Há homens que acumulam títulos. Outros acumulam histórias. Francisco José Cavalcante Façanha, conhecido como Bozoka, coleciona títulos, histórias e vitórias — não apenas as que aparecem nas fotografias de expedições internacionais ou nas capas de livros, mas principalmente aquelas que deixam cicatrizes, aprendizados e fé fortalecida. Escritor, publicitário, motociclista e empreendedor, ele construiu uma trajetória movida por coragem, resiliência e uma inquietação permanente diante da vida. Entre quedas, viagens, amores e recomeços, Bozoka segue fiel ao seu projeto pessoal: produzir até o último suspiro.

Quem é Bozoka?
Sou um homem em constante movimento. Um realizador. Alguém que acredita que a vida foi feita para ser vivida com intensidade e propósito. Já vivi muitas versões de mim mesmo — e todas elas me trouxeram até aqui.
Como foi sua formação?
Estudei no Colégio Cearense Marista e depois na Unifor. Minha formação acadêmica foi importante, mas a vida sempre foi minha grande universidade. As ruas, as estradas e as viagens me ensinaram tanto quanto qualquer sala de aula.

Quais são seus passatempos?
São muitos. Gosto de corrida de rua, musculação, leitura, pilotar motos, conversar com amigos no calçadão da Beira Mar. Também adoro acordar cedo e ficar deitado na rede da minha varanda observando o cosmo, rezando, escutando o silêncio. O silêncio fala muito comigo.

O que representam as amizades na sua vida?
Se posso dizer que tenho um patrimônio, este são os meus amigos. E se tenho algo a oferecer de volta, é a minha total gratidão a cada um deles. Minhas viagens me deram uma rede de amizades espalhadas pelo mundo. Alguns eu chamo de irmãos e irmãs, que minha mãe não deu a luz!

Fale sobre sua família.
Tenho orgulho imenso dos meus pais. Minha mãe, Dona Neusa, era boleira e costureira — dela herdei coragem, senso de humor e garra. Meu pai, Luiz Façanha, foi um exemplo de cidadão: honesto, culto, honrado e carinhoso. Dele herdei estratégia e resiliência. Ele dizia: “leve os tiros, conte os buracos e continue caminhando”. Tenho três filhos maravilhosos, dos quais me orgulho profundamente. Sou casado com com Glecya, e nossa caminhada juntos já está chegando aos 18 anos. A família é meu porto seguro.

Como a fé conduz sua vida?
Nasci em família católica praticante. Meu pai me levava à missa mesmo que estivesse “chovendo canivete”. Até os 12 anos eu queria ser padre. Mas a vida tem seus próprios caminhos… e um beijo debaixo de um pé de jambo mudou meus planos…. Hoje sou cristão, frequento missa e culto. Sou um homem de fé. Sempre termino minhas orações dizendo: “Que seja feita a Tua vontade na minha vida, Pai.”

Como surgiu seu espírito empreendedor?
Minhas ações como empreendedor sempre estiveram ligadas ao universo das motocicletas. Escrevo livros, realizo palestras e desenvolvo ações de marketing voltadas para o segmento. Tudo gira em torno dessa paixão que me acompanha desde menino.

Qual é sua relação com as motos?
As motos fazem parte da minha vida desde a infância. Aos seis anos eu já ficava ouvindo histórias de motociclistas numa borracharia vizinha de casa. Ali decidi que seria motociclista — só precisei esperar crescer. Já sofri muitos acidentes, sou um pouco “remendado”, mas isso faz parte do métier. Todo motociclista cai. Os que dizem que nunca caíram devem não ter uma boa memória.

E as expedições pelo mundo?
Às vezes, deitado à noite, revivo minhas viagens. Dou risada, sinto cheiros, escuto sons. Um filme passa diante de mim. As viagens ampliaram minha visão do mundo e da humanidade. Descobri que o ser humano é essencialmente o mesmo em qualquer lugar — o que muda são os governantes. Descobri também que um viajante nunca volta igual. O verdadeiro destino é o autoconhecimento. Foi sangue, suor, lágrimas e também muitas paixões vividas pelo caminho rodados ao redor do mundo.

Qual é o lugar mais bonito que já viu?
Já rodei meio mundo e vi belezas incríveis. Mas o lugar mais belo do planeta para mim é a Beira Mar de Fortaleza. Vou quase todos os dias e sempre saio impactado.

Como você cuida da saúde?
Saúde é equilíbrio. Corro, faço musculação, suplemento vitaminas, leio, escrevo, valorizo quem amo e mantenho novos projetos em andamento. Estou sempre em “modo produção”. Não revivo o passado. Aprendi a me perdoar — isso deixou minha caminhada mais leve.

Como você enxerga a vida?
Vivo em plenitude. Potencializo cada momento porque ele não se repete. Não vejo o tempo como condenação. Tento resolver as próximas 24 horas — o resto pertence a Deus. Tenho o Projeto ABELHA: produzir até o último suspiro. Não temo a morte, tenho curiosidade sobre ela.

Você é um sonhador?
Sou um sonhador realizador. Nem todos os sonhos se concretizam, mas muitos sim. A humanidade não existiria sem os sonhadores.
O que é poder para você?
Não me considero poderoso e luto contra qualquer sensação de poder. Poder é uma casca de banana escorregadia para a alma – e geralmente ele leva à queda.

Qual é seu maior medo?
Deixar de acreditar na bondade das pessoas.
Tem algum arrependimento?
Não ter fugido com uma trapezista de circo por quem me apaixonei aos 16 anos.
E o futuro?
A Deus pertence.

O que significam seus livros?
São como filhos. Sei que estão ajudando pessoas pelo mundo a voltarem a acreditar nelas mesmas, a focar, ter constância e despertar o herói adormecido dentro de cada um.

O que é sucesso para você?
Ser um bom pai. Um exemplo para meus filhos, assim como meu pai foi para mim.
Pelo que você é grato?
Sou grato à vida por tudo que recebi. Sou feliz e realizado.

O que você deseja que as pessoas levem desta entrevista?
Que ousem em ter fé em Deus. Que acreditem no próprio potencial. Que trabalhem todos os dias pelos seus sonhos e vivam em plenitude.

Uma música que marca sua história?
“San Francisco”, de Scott McKenzie. Vivi dez anos em San Francisco, uma fase especial e de grande aprendizado. Essa música me transporta para aquele tempo.



