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Ceará é o 2º estado do Brasil com mais negócios liderados por mulheres

No Mês da Mulher, especialistas destacam a digitalização como fator decisivo para crescimento, renda e profissionalização das empreendedoras cearenses

O Ceará ocupa hoje posição de destaque no cenário nacional do empreendedorismo feminino. O estado é o segundo do país com maior participação de mulheres à frente de negócios, com cerca de 36% dos empreendimentos ativos liderados por mulheres, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, divulgados no estudo Atlas dos Pequenos Negócios. Ao todo, são aproximadamente 432 mil mulheres empreendedoras no estado, atuando principalmente nos setores de Serviços (41,57%) e Comércio (32,28%).

Apesar da forte presença feminina no ambiente empreendedor, o perfil predominante ainda revela desafios estruturais. Grande parte desses negócios é composta por empreendimentos individuais, com baixa estrutura operacional — reflexo de um mercado historicamente dominado por homens.

Entre as empreendedoras cearenses, apenas 18,5% possuem ensino superior, enquanto 43,9% têm ensino médio completo ou incompleto. Muitas dessas mulheres conduzem seus negócios de forma autônoma, acumulando também responsabilidades financeiras familiares. Esse cenário frequentemente limita a capacidade de crescimento, organização estratégica e previsibilidade financeira das empresas. Nos últimos anos, porém, a tecnologia tem se consolidado como um importante divisor de águas para mulheres que buscam profissionalizar seus negócios e ampliar suas oportunidades de crescimento.

Um exemplo é o caso de Kilvia Nogueira, responsável pela franquia da escola de oratória Vox2You Fortaleza. Segundo ela, a adoção de ferramentas tecnológicas foi essencial para estruturar processos comerciais e fortalecer a presença da marca no mercado.

“Com o uso de tecnologias como CRM e BI, muitas decisões que antes eram tomadas de forma intuitiva passaram a ser orientadas por dados. Hoje acompanhamos indicadores como captação de alunos, taxa de conversão e perfil do público, o que nos dá mais clareza sobre onde investir e como crescer com segurança”, explica.

Kilvia Nogueira, CEO da Vox2You Fortaleza

Kilvia destaca ainda que o uso dessas plataformas permitiu organizar melhor o relacionamento com os alunos e aprimorar a gestão de leads. “A tecnologia trouxe previsibilidade para o negócio. Hoje conseguimos projetar novas turmas, planejar campanhas e tomar decisões baseadas em dados concretos, não apenas em percepção.”

Para Kairo Alves, à frente da empresa cearense de marketing e performance comercial EVO Result, a transformação digital tem sido fundamental para mudar a realidade de muitas empreendedoras no estado. Segundo ele, a digitalização democratiza o acesso a ferramentas antes restritas a empresas de grande porte. “Hoje uma empreendedora consegue organizar marketing, vendas e relacionamento com clientes de maneira profissional, com processos bem definidos e análise de dados. Isso nivela o acesso à estrutura empresarial e amplia as possibilidades de crescimento”, afirma.

Outro exemplo desse movimento é a empresária Karine Pamplona, que atua em um setor tradicionalmente dominado por homens. Ela é sócia-diretora da Kleiton Veículos, empresa que possui três lojas na capital cearense. Para Karine, a profissionalização da gestão foi determinante para o crescimento sustentável da empresa. “O mercado automotivo é extremamente competitivo e dinâmico. Implantamos sistemas de controle de estoque, gestão de leads, métricas de desempenho e até inteligência artificial, além de investirmos continuamente no acompanhamento e treinamento do time. Isso transformou completamente nossa gestão comercial e trouxe muito mais previsibilidade”, explica. Ela destaca que o acesso a dados em tempo real também fortalece a tomada de decisões estratégicas. “Hoje consigo visualizar o desempenho das lojas instantaneamente, identificar gargalos e agir com rapidez. Para uma empreendedora, isso significa mais segurança, clareza e autonomia na condução do negócio.”

Karine também acredita que a tecnologia contribui para reduzir barreiras estruturais ainda presentes no mercado. “Quando temos acesso à informação e processos bem organizados, conseguimos criar diferenciais competitivos importantes, especialmente em setores tão concorridos como o automotivo.”

Histórias como as de Kilvia e Karine demonstram que a transformação digital deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser um caminho concreto para ampliar faturamento, fortalecer a gestão e impulsionar o protagonismo feminino no empreendedorismo. A tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma base estrutural dos negócios. Quem aprende a utilizar dados e processos a seu favor conquista escala e sustentabilidade. E isso pode ter sido algo decisivo para o avanço das mulheres no empreendedorismo cearense.

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Márcio Correia

Graduado em Psicologia e Inglês, pela UMHB, nos EUA, e com cursos de aperfeiçoamento em gerenciamento e marketing feitos ao longo de sua vida, Márcio é um entusiasta e adora gente, cultura, festas e novidades. Já morou nos EUA por muitos anos e sempre que pode encontra novos lugares para conhecer. Acumula boas experiências nas áreas da música, moda, design, arquitetura e organização de eventos. Já foi colunista em um jornal local e atualmente organiza eventos sociais e empresariais, além de ser professor de inglês e assinar a coluna OCASIONAIS para o Portal ConceituAdo

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